terça-feira, 24 de maio de 2016

Capitulo 3 - reencontro

– Então o tão esperado 2 de novembro chegou... Combinamos de nos encontrar na cidade da Gi, Campinas, depois do meu show em São Paulo, perto da 1h da manhã. Fiz o show meio mal, eu também estava aflito pelo que ia acontecer, e acabei deixando o palco mais cedo... Me arrependo disso, eu estava muito ansioso e acabei descontando no show... Desculpa galera - fala para a câmera - saí do estádio e fui direto para a estrada, tentando chegar o mais rápido possível em Campinas. Quando cheguei à praça do coco, um local muito fofo no bairro da Gi que ela adora, ela estava sentada em uma mesinha, sozinha, brincando com cartas de um baralho. - ele faz uma expressão de dúvida.
– DEIXA EU ME EXPLICAR! Eu fui mais cedo pra lá com uma amiga porque eu estava com medo de ficar lá sozinha, e aí a gente ficou jogando cartas até a mãe dela ir buscá-la - que foi quase na hora que o Justin chegou - então eu fiquei brincando com as cartas nesse meio tempo.
"- Oi - Justin falou, se aproximando da minha mesa. Eu apontei para o assento vazio à minha frente, onde ele se sentou. – Então...
– Quer jogar? - perguntei, sem saber direito o que falar. Ele assentiu e eu distribuí as cartas. Jogamos uma rodada inteira de truco, ambos sem coragem para iniciar o assunto.
– Ok Gi, você ganhou - ele me olhou com um sorriso de lado, mas logo fechou a cara de novo - a gente precisa conversar...
– Eu sei, eu só estou meio nervosa - ele segurou as minhas mãos e eu quase recuei, mas não o fiz. - enfim... Quer contar o seu lado da história?
– Sim, por favor...
– Ok, chegou a hora - falei mais para mim mesma do que para ele.  - Pode contar.
– Pra começar, eu nem me lembro direito daquele dia, daquela festa... É tudo um borrão na minha mente até um certo momento, chegarei lá. Mas vou te contar o que os caras me disseram. Bom, eu fui nessa festa com meus amigos e tal, até aí tudo bem - assenti. Eu nunca tive problemas com o Justin sair com seus amigos, até porque eu saía com as minhas amigas também - porém eu bebi demais, e sempre que eu parava de beber eles me davam mais e mais copos, até que chegou um momento que eu não sabia mais o que eu estava fazendo, não era eu agindo ali. Foi nessa hora que eu estava "agarrado" com aquela modelo, eu estava em um estado completamente alterado. Então eles me deram maconha, eu provei, tiraram aquela foto minha fumando. Eu não gostei, voltei à consciência na mesma hora e vi a besteira que tinha feito. É a partir daí que eu me lembro dos fatos. Eu devolvi o cigarro para eles, disse que odiei e que não queria aquilo nunca mais, e eles me respeitaram, não me forçaram nem nada. Mas eu não sabia da existência das fotos, muito menos que eu tinha quase agarrado outra mulher! Só descobri aquilo no mesmo dia que você... Gi, me desculpa, eu errei feio bebendo daquele jeito.
– Justin... Eu que te devo um pedido de desculpas. Eu explodi sem ouvir seu lado, nem te deixei explicar.
– Tudo bem, você tinha outros motivos além desse. A escola realmente é prioridade. Enfim, depois disso eu prometi nunca mais beber tanto assim e me afastei daquela galera.
– Que ótimo, Justin, de verdade. - eu me levantei e Justin fez o mesmo. Me aproximei dele e nos abraçamos, finalmente, depois de tanto tempo. - eu senti sua falta. - falei, chorando.
– Eu também senti a sua... - ele falou baixinho no meu ouvido - Então você me perdoa? - não respondi. Ao invés disso, afastei um pouco o abraço, segurei seu rosto e o beijei. Foi um beijo repleto de saudade, culpa, arrependimento, perdão, lágrimas... Eu segurava seu rosto com força, não queria largá-lo nunca mais, poderia ficar aquele jeito para sempre. E ele fazia o mesmo, me segurava com firmeza, como se nada mais importasse além de estar ali comigo. Sem fôlego, separei nossos lábios e ficamos com nossas testas coladas, encarando um ao outro.
– Claro que eu te perdoo. - respondi.
– Eu te amo - falou.
– Também te amo.
– Gi... - ele afastou seu rosto do meu, me segurando pela cintura e eu, o seu pescoço. Olhei para ele com atenção - preciso da sua ajuda.
– Com o que, Justin?
– Não sei se você vem acompanhando a minha vida após nosso afastamento - assenti. Mesmo não querendo, eu sempre acabava vendo sites sobre ele - bom, então você deve saber de tudo...
– Sim, eu sei... O que tá acontecendo, amor?
– É a pressão da mídia, eu não aguento mais - então ele me explicou que a mídia vem caindo em cima dele, exigindo que ele seja perfeito e tudo mais, mas que isso é difícil, que ele passou por um momento complicado naquele ano. Disse que tudo que ele faz é distorcido, fazendo com que ele pareça uma pessoa ruim até quando ele não faz nada de errado. Eu fiquei arrasada...
– Justin, você não pode ligar pra isso. - falei acariciando seu rosto.
– Eu sei, mas é difícil ignorar, eu to tão mal, amor... Por isso eu preciso da sua ajuda. Com você por perto eu me sinto mais seguro, você me passa confiança. Preciso de alguém que não me deixe cair, alguém que me apoie. E eu sei que você é essa pessoa.
– Claro! Com toda a certeza. Você pode contar comigo, vou te ajudar sim a passar por essa fase.
– O que eu faço?
– Em primeiro lugar, não fazer nada de errado. Nada que faça com que eles tenham mais motivo pra te xingarem. Segundo, ignorar e parar de ver sites de fofoca, parar de abrir manchetes que são sobre você. Depois disso a gente pensa no que fazer, tudo a seu tempo.
– Tudo bem, obrigado pelo apoio, de verdade - ele me abraçou.
– Magina, sempre que precisar.
– Mas vamos deixar isso pra lá, onde nós paramos mesmo? - ele juntou nossos lábios novamente e ficamos assim mais um bom tempo."
– Foi nesse dia que Justin me ofereceu um emprego, que me ajudou a chegar onde estou hoje. Ele me perguntou se eu gostaria de atuar em seus próximos clipes e também ajudar na direção, e eu topei na hora. Eu ainda tinha que terminar o segundo ano, faltava menos de um mês. Já o terceiro ano, que eu até o momento não tinha decidido o que fazer, deixamos isso para depois.

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